NuFocco
Blog
Nutrição5 min de leitura · 06 de agosto de 2026
O que é IMC e por que esse número engana mais do que parece

O que é IMC e por que esse número engana mais do que parece

O IMC cabe numa continha de balança e fita métrica, mas trata músculo e gordura como a mesma coisa e não vê onde a gordura está. Entenda o que o seu número diz de verdade.

Você sobe na balança, pega a altura no cadastro do posto de saúde e uma continha cospe um número entre 18 e 40 e alguma coisa. Esse número é o IMC, o índice de massa corporal. Ele é fácil de calcular, aparece em toda ficha de consulta e virou quase sinônimo de "estou no peso certo ou não". O problema é que muita gente leva esse resultado ao pé da letra, e aí começa a confusão.

A conta é simples: pegue seu peso em quilos e divida pela sua altura em metros elevada ao quadrado. Uma pessoa de 70 kg e 1,70 m faz 70 dividido por 1,70 vezes 1,70, ou seja, 70 dividido por 2,89. Dá mais ou menos 24,2. Pronto, esse é o IMC. Não precisa de aparelho, exame de sangue nem nada. Só balança e fita métrica.

As faixas da OMS

A Organização Mundial da Saúde definiu faixas para adultos que servem de referência no mundo todo, e é o que o Ministério da Saúde usa por aqui. Abaixo de 18,5 é considerado baixo peso. De 18,5 até 24,9 é a faixa tida como normal, também chamada de eutrofia. De 25 a 29,9 entra o sobrepeso. A partir de 30 começa a obesidade, dividida em três graus: grau I de 30 a 34,9, grau II de 35 a 39,9, e grau III de 40 para cima.

Repare que o IMC de 24,2 do exemplo cai bem no meio da faixa "normal". Por isso ele é útil como primeira triagem. Num consultório cheio, num levantamento de saúde de uma cidade inteira, ele dá um retrato rápido e barato de como anda o peso da população. E é exatamente para isso que ele foi criado: olhar grupos grandes de gente, não uma pessoa específica.

Onde ele te engana

Aqui mora a parte que quase ninguém conta. O IMC não sabe do que é feito o seu peso. Para a conta, 10 kg de músculo e 10 kg de gordura pesam exatamente igual. A balança não diferencia, e a fórmula muito menos.

Pega um cara que treina pesado há anos, com bastante massa muscular e pouca gordura. É bem possível que o IMC dele bata 27, 28, e o resultado diga "sobrepeso". Pela matemática, ele estaria acima do peso. Na prática, tem menos gordura corporal do que boa parte das pessoas na faixa "normal". O próprio Ministério da Saúde reconhece essa exceção: quem tem muita massa magra pode ter IMC alto sem estar com excesso de gordura. O contrário também acontece. Dá para estar dentro da faixa dita saudável e ter pouco músculo e gordura demais, aquela situação de "magro por fora, com gordura escondida".

E tem outra coisa que o IMC não enxerga: onde a gordura está. Duas pessoas com o mesmo número podem ter riscos bem diferentes dependendo de onde o corpo guarda essa gordura. A que se acumula na barriga, em volta dos órgãos, é a que mais preocupa em relação a coração, diabetes e pressão. E o IMC é cego para isso. Ele te dá um número e cala a boca sobre a distribuição.

Por isso, na hora de avaliar risco de verdade, a medida da cintura costuma dizer mais do que o IMC sozinho. A OMS trabalha com pontos de corte para a circunferência abdominal: a partir de 94 cm em homens e 80 cm em mulheres já se considera risco aumentado, e acima de 102 cm nos homens e 88 cm nas mulheres o risco é considerado muito maior. Uma fita métrica na altura do umbigo às vezes te fala mais sobre saúde do que a divisão que você fez lá em cima.

Então o IMC serve pra alguma coisa?

Serve, e minha opinião é que dá para parar de tratar ele como vilão ou como verdade absoluta. Ele é uma ferramenta de rastreio, não um diagnóstico. Como sinal de alerta populacional, funciona muito bem e é barato. Como veredito sobre o seu corpo, individualmente, ele é fraco. A melhor forma de usar é como ponto de partida, não como ponto final.

Vale saber ainda que a tabela padrão foi pensada para adultos entre mais ou menos 20 e 60 anos. Para idosos, alguns protocolos de saúde usam uma faixa diferente, considerando saudável de 22 a 27, porque um pouco mais de reserva costuma proteger nessa fase. Para crianças e adolescentes a história muda de novo: a avaliação usa curvas de crescimento específicas por idade e sexo, e a tabela do adulto simplesmente não se aplica.

Na prática, se você quer entender seu peso, calcule o IMC para ter uma ideia geral, meça a cintura e some isso a como você se sente, seu nível de energia, se treina, como estão seus exames. É o conjunto que conta. Um número isolado quase nunca fecha a história. Se o resultado te deixou preocupado ou muito fora das faixas, o passo mais inteligente não é começar dieta por conta própria olhando uma tabela na internet. É levar esses dados para um médico ou nutricionista, que consegue olhar o quadro inteiro, e não só o que a divisão de dois números mostra.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista. Decisões sobre dieta, emagrecimento ou tratamento devem ser tomadas com acompanhamento profissional, considerando o seu caso.

Fontes

  • Organização Mundial da Saúde (OMS/WHO), classificação de IMC para adultos e pontos de corte de circunferência abdominal.
  • Ministério da Saúde e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), material sobre obesidade e cálculo do IMC.
  • Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, orientação sobre o que é o IMC, como se calcula e suas limitações.
  • Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), sobre circunferência abdominal e risco cardiometabólico.
Coloque em prática agora
Baixe o app grátis e transforme o que você aprendeu em resultado, com treino, dieta e acompanhamento no mesmo app.
Continue lendo
Nutrição · 6 min
Pão low carb é melhor para diabetes? O rótulo importa mais que o nome
Nutrição · 6 min
Qual tamanho de marmita fit escolher? O pote não define a porção
Nutrição · 5 min
Creatina dá dor de cabeça? O que a evidência mostra